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Atividade Parlamentar

Sessão especial pela Reforma Agrária relembra o Massacre de Eldorado dos Carajás

postado em 14/04/2016 04:04

A sessão especial pela Reforma Agrária que lembrou o assassinato de 19 trabalhadores rurais pela Polícia Militar no sudeste do Pará, em 1996 foi realizada nesta quinta-feira (14), no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia. O evento reuniu assentados da reforma agrária, sem terra, sem teto, povos do campo, comunidades quilombolas, representantes de movimentos sociais diversos, além de parlamentares e professores e alunos de colégios estaduais, tratou da luta pela terra, por reforma agrária e justiça no campo.

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O dirigente da Frente Nacional de Lutas, Zé Rainha, e de movimentos sociais também esteve presente, participando das discussões sobre o tema e participou da homenagem ao Projeto Integrado de Pesquisa “A Geografia dos Assentamentos na Área Rural” (Geografar), da UFBA, e teve ainda, “um ato em defesa da democracia e contra o golpe branco em curso no Brasil”.

O deputado Marcelino Galo (PT) presidiu a sessão lembrando as questões que levaram ao episódio do Massacre de eldorado dos Carajás e a Ditadura brasileira e fez um comparativo com a situação atual da política nacional. “Temos que admitir a competência e capacidade de opressão da elite brasileira que em mais de 500 anos soube se reproduzir às custas da exploração do povo brasileiro. Aqui vejo homens e mulheres com seus cabelos brancos que viveram a época de 1964 e sabem quem foram as vítimas daquele momento. Hoje em dia estamos vendo as mesmas forças concentrando a hegemonia do poder, tentando instalar o golpe novamente no nosso país”, declarou Galo.

Marcelino fez ainda uma referência a professora Guiomar Germani, coordenadora do grupo de pesquisa ‘Geografar’. “Quero aqui fazer uma homenagem a ela, dizendo que já solicitamos a esta Casa, um título de cidadã baiana, o qual ela tanto merece por seu trabalho e dedicação a causa agrária”.

Zé Rainha fez um discurso emocionado, relembrando não só o massacre, mas todos os episódios que levaram a morte ou a prisão de integrantes de movimentos sociais, ao longo dos últimos 20 anos. “É uma honra estar aqui com vocês para fazermos juntos uma reflexão sobre tudo que vem acontecendo neste país desde o Massacre de Eldorado dos Carajás até hoje. Mesmo não tendo nada a comemorar, pois 20 anos depois desse dia, nada mudou e estamos aqui para reafirmar essa luta que não pode terminar. Nós precisamos dar um salto maior para mostrar que não queremos retroceder e continuar lutando, pois precisamos querer mudar enquanto é cedo”, exclamou o dirigente da FNL. Para ele, “devemos mostrar para a juventude que a luta é necessária porque a reforma agrária está parada no Brasil, contribuindo assim, para que as desigualdades e a violência persistam em nossa sociedade. Precisamos caminhar juntos para construir essa mudança”.

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Após a exibição de um vídeo produzido pelo projeto ‘Geografar’ sobre a luta pela reforma agrária na Bahia, a professora Guiomar Germani, homenageada da sessão falou aos presentes. “Eu recebo essa homenagem muito emocionada, agradeço ao deputado Marcelino Galo pelo companheirismo nesses longos anos de trabalho e acredito ser muito significativo que essa discussão aconteça aqui na Casa do Povo, onde nem sempre as coisas acontecem como nós desejamos. Um grupo de pesquisa não se constrói sozinho e estarmos aqui sendo homenageados, é a confirmação do nosso compromisso com a construção de um país diferente, pois a reforma agrária é uma das condições para obtermos esse país”, declarou Guiomar. Para ela, essa não é só uma luta dos movimentos sociais e agrários, mas de toda a sociedade brasileira.

É preciso, portanto, compreender o momento histórico que estamos vivendo e empreender a luta democrática contra o golpe, por justiça e mais avanços nas conquistas sociais”, disse Marcelino Galo, que foi superintendente do INCRA entre 2003 e 2005. Galo criticou ainda, a prisão do cacique Babau, em Olivença, no sul da Bahia, o assassinato de dois sem terra e o atentado contra nove pessoas, feridas a bala, por policiais militares do Paraná também na última quinta-feira (7).

O massacre

O episódio conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás completa 20 anos no próximo domingo (17), Dia Internacional de Luta pela Terra e Justiça no Campo. O confronto entre integrantes do MST e policiais ocorreu em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, quando 1,5 mil sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras na rodovia PA-150. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local. Além de bombas de gás lacrimogêneo, os policiais atiraram contra os manifestantes. 19 camponeses foram mortos.

Dos 155 policiais que participaram da ação, Mário Pantoja e José Maria de Oliveira, comandantes da operação, foram condenados a penas que superaram os 150 anos de prisão. Eles respondiam em liberdade, por força de um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, concedido em 2005.