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Assembleia lança mais três livros da Coleção Mestres da Literatura Baiana

postado em 15/10/2014 04:10

A Assembleia Legislativa, em parceria com a Academia de Letras da Bahia (ALB), lançou nesta terça-feira 14, mais três livros da Coleção Mestres da Literatura Baiana: Os Cabras do Coronel, O Reduto e Remanso da Valentia. Os três títulos são de autoria do escritor, jornalista e político baiano Wilson Lins (1920-2004) e têm como cenário o Médio São Francisco (ver coordenadas). O lançamento foi realizado na Academia de Letras da Bahia (Av. Joana Angélica, 198, Palacete Góes Calmon).  Com os livros de Wilson Lins – um dos mais importantes romancistas baianos, que ocupou a cadeira 38º da ALB – a Coleção Mestres da Literatura Baiana chega a sete títulos lançados. Como o nome deixa claro, a coleção tem como objetivo publicar obras fundamentais da literatura baiana. “A coleção contempla todos os gêneros literários, autores vivos ou mortos, tendo como critérios a qualidade da obra e sua importância no contexto da literatura baiana”, definiu o presidente da ALB, Aramis Ribeiro Costa. O assessor para Assuntos de Cultura da Assembleia, Délio Pinheiro, explicou que, antes da eleição de Aramis Ribeiro, a parceria com a ALB vinha sendo feita através da editoração de livros sem identidade gráfica definida. “A partir da condução do acadêmico Aramis Ribeiro Costa à presidência da ALB surgiu a ideia de dar personalidade literária ao convênio”, explicou Pinheiro. “Fizemos isso criando a coleção Mestres da Literatura Baiana, que contempla todos os gêneros literários (poesia, romance, ensaios, crônicas, contos, biografias), tendo sempre como critérios a qualidade da obra e sua elevada importância no cenário da literatura baiana.”  De acordo com Délio Pinheiro, entres os autores que já foram relançados, estão Hidelgardes Vianna (A Bahia já foi  assim), livro de Hélio Pólvora e uma Antologia poética de Afonso Manta. “Agora avançamos com o lançamento desses três romances sobre coronéis e jagunços, que afirmam Wilson Lins como o grande escritor do São Francisco”, afirmou ele. Os próximos lançamentos, acrescentou o assessor para Assuntos de Cultura, são Histórias da gente baiana, de Vasconcelos Maia, e O telefone dos mortos, contos do jornalista João Carlos Teixeira Gomes, o Joca. 

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OS CABRAS DO CORONEL 
Com lançamento da primeira edição do romance Os cabras do Coronel, em 1964, Wilson Lins incia sua saga sobre coronéis e jagunços do Médio São Francisco. No total, foram cinco títulos tendo  essa região como cenário – sobretudo Pilão Arcado, cidade natal de Wilson  Lins – sendo que, os que serão lançados pela Assembleia, formam uma triologia. Os enredos de Os cabras do coronel, assim como os outros dois, se fazem por  meio de capítulos curtos, de forma linear e concisa, com discretas retrospectivas.  O enredo desse primeiro romance é basicamente a fuga e a perseguição de Domingos Amarra Couro – um dos homens da prostituta Doninha Calango. Enlouquecido de amor, o cabra decide trair o coronel e abandonar a vida de jagunço para viver em paz com a sedutora  Doninha e é perseguido implacavelmente pelos ex-companheiros. “Fuga e perseguição servem de pretexto para a apresentação das desavenças dos coronéis no ambiente violento e rude, onde a figura do coronel de Pilão Arcado, que outro não é senão o coronel  Franklin, é onipresente e onipotente, embora nesse romance, não apareça uma única vez, e não tenha nome, sendo apenas denominado de ‘o Coronel’ ou o ‘Vermelhão’”, descreveu Aramis Ribeiro, na apresentação do livro. 

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O REDUTO 
Segundo livro de Wilson Lins tendo o médio São Francisco como cenário, O Reduto é uma extensão de Os cabras do coronel e é narrado com uma velocidade fora do comum. “Nisto se distingue também a ficção de Wilson Lins: no ritmo de sua narrativa”, explicou o escritor Antônio Olimpo, no texto originalmente publicado na orelha da capa da primeira edição do livro, em 1965, e reproduzido na reedição a ser lançada. “Nele, a ação avança rapidamente, sem literatices, sem conceituações, a não ser as que se entrosem profundamente com o caso contado”, reforçou Olimpo. Para Olimpo, a filosofia-de-vida do ficcionista, seu sentido de construção do romance, sua mundologia, não se destacam da narração, “mas só aparecem por seu intermédio e como elemento intrínseco de sua feitura”. E acrescentou: “Daí, inclusive, a importância do diálogo em Wilson Lins que, como Hemingway, faz rapidez de uma série de acontecimentos. Para o leitor do romance, o que vê na ficção o representante moderno do antigo poema épico, essa rapidez de ação é o que vale.” 
REMANSO DE VALENTIA 
Último romance da triologia, Remanso da Valentia conta a participação do coronel na luta contra a Coluna Prestes. “Através dos homens que se aliam à Coluna ou ao batalhão do coronel, dos que se casam com as vivandeiras, dos que morrem ou desertam, a própria Coluna ganha a realidade e deixa perceber ângulos que a tornam mais compreensível”, observou a teatróloga, romancista e crítica de teatro, Zora Seijan, na apresentação do livro. Segundo ela, o Coronel Franco (que no primeiro romance não tinha ainda nome), passa a existir então, embora mais citado do que em ação direta. “Sua mulher surge nítida na história e recorda casos da velha família do São Francisco para erguer, numa técnica sutil, um cenário no tempo através do qual fica o leitor sabendo o que houve”, acrescentou Zora Seijan.  Ele acrescenta que, com a volta do coronel, a luta recomeça. “É a guerra. A guerra que Remanso da Valentia narra com vigor, na descrição do São Francisco dos coronéis bravios, sanhundos, dos navios chegando e saindo, das eleições feitas por meio de atas falsificadas, da enchente, dos mosquitos, do sol a pino (…). Wilson Lins documenta, com belo estilo ficcional, o fim de uma época que, no Brasil, corresponde a dos senhores medievais da Europa”, concluiu Zora.

Fonte: Site Ascom Alba