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Dilma Rousseff é a mais nova cidadã baiana

postado em 16/06/2016 04:06

Na chegada à Assembleia Legislativa da Bahia, a presidente afastada, Dilma Rousseff foi recebida pelo presidente Marcelo Nilo e demais autoridades, que a recepcionaram na rampa e a levaram para frente do prédio principal da Alba, onde uma comitiva tipicamente baiana a esperava. Capoeiristas fizeram uma apresentação exclusiva para Dilma e baianas devidamente paramentadas distribuíram fitas do Senhor do Bonfim e deram um banho de pipoca em Dilma, cobrindo-a de bençãos.

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Uma megaestrutura de segurança foi montada para receber a presidente, composta por centenas de policiais, federais e militares, a maior parte vindos de Brasília e os demais, da Assistência Militar da Alba.

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A sessão especial realizada no plenário da Alba para a entrega do título de cidadã baiana à Dilma Rousseff, teve início pouco antes das 13h e foi aberta pelo presidente Marcelo Nilo com presenças ilustres na mesa como, o vereador e ex-governador Waldir Pires; o ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira; a senadora Lídice da Mata; o deputado federal e líder do PT no Congresso Nacional, Afonso Florence; o presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, além de muitas autoridades civis, militares, religiosas e representantes de movimentos sociais presentes na plateia.

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Ao som de gritos como, “volta querida” e “Dilma guerreira, da pátria brasileira”, emitidos pelas mulheres presentes, a presidente Dilma acompanhada do governador Rui Costa e do ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, foi conduzida ao plenário por uma comissão composta por secretárias de estado, deputadas estaduais e vereadoras. Após a execução do Hino Nacional, cantado pelo sargento Lima e o sub-tenente Josué, da Política Militar da Bahia, foi apresentado um vídeo sobre a trajetória política da homenageada.

A deputada Fátima Nunes (PT), presenteou Dilma com uma maquete que representava a construção de um milhão de cisternas, no estado da Bahia, que segundo Fátima, “tirou a lata d´água da cabeça de mais de mil mulheres do sertão baiano”.

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O projeto de resolução 2.075/2011, que concedeu a honraria a Dilma Rousseff, é de autoria do deputado e líder do PT na Alba, Rosemberg Pinto, que em seu discurso, enalteceu as características de Dilma como caráter, seriedade e competência e salientou que, “o golpe que está sendo perpetrado no nosso país tem o objetivo apenas e tão somente de blindar os principais culpados das ilicitudes do Brasil”, afirmou. De acordo com o proponente, a Bahia sempre acreditou que ninguém mais do que a senhora seria capaz de dar seguimento ao trabalho excepcional iniciado pelo presidente Lula.

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Uma honraria mais do que merecida, por todos os benefícios trazidos para todos os brasileiros. Aqui na Bahia por exemplo, uma única ação das diversas que foram realizadas no nosso Estado, já seria suficiente para essa homenagem”, disse Rosemberg.

A cantora Juliana Ribeiro homenageou Dilma cantando “Bahia com H”, do compositor João Gilberto. Em seguida, um vídeo com tudo que foi realizado na Bahia durante os mandatos de Dilma Rousseff, entre obras estruturantes, de mobilidade urbana, infraestrutura para o interior, ações nas áreas de educação, saúde e segurança pública.

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Já como a mais nova cidadã baiana, Dilma começou seu discurso dizendo aos presentes que “é uma honra receber o título de cidadã baiana, pois a Bahia exerce uma atração sobre os brasileiros, por sua diversidade cultural, por sua força, que são a representação da alma brasileira, na alegria inconteste desse povo”. Essas são as razões afetivas, mas sinto imenso carinho pela Bahia, porque a Bahia e todo o Nordeste são muito importantes para o desenvolvimento do Brasil.

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Segundo Dilma, no Brasil a exclusão das pessoas sempre andou junto com a exclusão das regiões. “Eu vim aqui defender os meus 54 milhões e meio de votos e uma parte muito importante deles eu recebi aqui na Bahia, então tenho obrigação e dever de defendê-los e honrá-los”. Minha vinda aqui hoje é para reafirmar meu compromisso o Nordeste e com a Bahia, o estado mais relevante popularmente falando, dessa região, meu compromisso com as mudanças do Brasil.”. Dilma lembrou ainda a importância da luta pela independência da Bahia, celebrada no dia 2 de Julho e que representa a luta pela democracia no Brasil.

Dilma relembrou a parceria com Lula, Wagner e Rui Costa, que ocasionou grandes mudanças em toda a Bahia. “Além de todas as importantes obras físicas trazidas para a Bahia, não podemos esquecer que o ‘Bolsa Família’ complementa a renda de mais de 7 milhões de baianos; o ‘Mais Médicos’, leva saúde a toda a população; o ‘Minha Casa, Minha Vida’, assegura um lar digno para milhares de pessoas. Todos estão ameaçados pelo atual governo”, afirmou.

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Dilma Rousseff fez fortes críticas ao atual governo do presidente em exercício, Michel Temer, dizendo que diversos programas que beneficiam a população brasileira serão reduzidos sem qualquer justificativa. “Nós sabemos que todo esse programa do atual governo golpista e provisório não seria aprovado por absolutamente ninguém”, declarou. E seguiu dizendo, “a gravidade da situação atual está no fato que um governo interino, que não tem legitimidade, não tem condições de mapear o caminho para sairmos da crise pela qual enfrentamos”, alegou a presidente.

Esse título pra mim é mais do que uma honra, é um prêmio. Me orgulho de ter vindo aqui, a terra que lutou contra forças que aparentemente eram maiores, pela independência desse país. Aqui tem uma tradição de luta. É um povo alegre, que vive a vida, mas é aguerrido quando é preciso. Não vamos deixar que esses parasitas matem a nossa árvore. Muito obrigado!”, encerrou Dilma Rousseff.

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O presidente Marcelo Nilo ao discursar em homenagem a nova cidadã baiana disse, “já vivi muitas emoções nessa Casa. Desde há 25 anos quando tomei posse pela primeira vez como deputado estadual, até quando dei posse a diversas autoridades, ou quando entreguei homenagens a diversas personalidades. Mas hoje para mim, é sem dúvida nenhuma, a maior emoção que vivo na minha vida pública”, afirmou. Nilo disse ainda que, “Dilma é a cidadã mais injustiçada da era da república”.

Nilo fez ainda um agradecimento especial. “Quero em nome do povo da Bahia, agradecer tudo que a senhora fez pelo nosso Estado. Tudo que foi feito para os baianos em parceria entre os governos estadual e federal, primeiro com Jaques Wagner e agora com a continuidade do trabalho de Rui Costa”.

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Por fim, o líder do legislativo baiano reafirmou, “nascer na Bahia é uma dádiva de Deus. A Bahia de todos os seus encantos, a partir de hoje também é a Bahia de Dilma Rousseff”, concluiu.

A sessão foi encerrada com a execução do Hino à Bahia. Em seguida a presidente se dirigiu ao estacionamento da Alba, onde falou aos representantes de movimentos sociais reunidos no local.

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Sobre Dilma Rousseff

Primeira mulher a se tornar Presidente da República do Brasil, Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, na cidade de Belo Horizonte (MG). É filha do imigrante búlgaro Pedro Rousseff e da professora Dilma Jane da Silva, nascida em Resende (RJ). O casal teve três filhos: Igor, Dilma e Zana.

Aos 16 anos, Dilma dá início à vida política, integrando organizações de combate ao regime militar. Em 1969, conhece o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo. Juntos, sofrem com a perseguição da Justiça Militar. Condenada por “subversão”, Dilma passa quase três anos, de 1970 a 1972, no presídio Tiradentes, na capital paulista.

Livre da prisão, muda-se para Porto Alegre em 1973. Retoma os estudos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul após fazer novo vestibular. Em 1975, Dilma começa a trabalhar como estagiária na Fundação de Economia e Estatística (FEE), órgão do governo gaúcho. No ano seguinte, dá à luz a filha do casal, Paula Rousseff Araújo.

Dedica-se, em 1979, à campanha pela Anistia, durante o processo de abertura política comandada pelos militares, ainda no poder. Com o marido Carlos Araújo, ajuda a fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Rio Grande do Sul. Trabalhou na assessoria da bancada estadual do partido entre 1980 e 1985. Em 1986, o então prefeito da capital gaúcha, Alceu Collares, escolhe Dilma para ocupar o cargo de Secretária da Fazenda.

Com a volta da democracia ao Brasil, Dilma, então diretora-geral da Câmara Municipal de Porto Alegre, participa da campanha de Leonel Brizola ao Palácio do Planalto em 1989, ano da primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. No segundo turno, Dilma vai às ruas defender o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).

No início da década de 1990, retorna à Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, agora como presidente da instituição. Em 1993, com a eleição de Alceu Collares para o governo do Rio Grande do Sul, torna-se Secretária Estadual de Minas, Energia e Comunicação.

Em 1998, inicia o curso de doutorado em Economia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas, já envolvida na campanha sucessória do governo gaúcho, não chega a defender tese. A aliança entre PDT e PT elege Olívio Dutra governador e Dilma ocupa, mais uma vez, a Secretaria de Minas, Energia e Comunicação. Dois anos depois, filia-se ao PT.

Em 2002, Dilma é convidada a participar da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Lula (2003-2010). Depois, com a posse de Lula, torna-se ministra de Minas e Energia.

Entre 2003 e 2005, comanda profunda reformulação no setor com a criação do chamado marco regulatório (leis, regulamentos e normas técnicas) para as práticas em Minas e Energia. Além disso, preside o Conselho de Administração da Petrobras, introduz o biodiesel na matriz energética brasileira e cria o programa Luz para Todos.

Lula escolhe Dilma para ocupar a chefia da Casa Civil e coordenar o trabalho de todo ministério em 2005. A ministra assume a direção de programas estratégicos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida. Coordenou ainda a Comissão Interministerial encarregada de definir as regras para a exploração das recém-descobertas reservas de petróleo na camada pré-sal e integrou a Junta Orçamentária do Governo, que se reúne mensalmente para avaliar a liberação de recursos para obras.

Em março de 2010, Dilma e Lula lançam a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que amplia as metas da primeira versão do programa. No dia 03 de abril do mesmo ano, Dilma deixa o Governo Federal para se candidatar à Presidência. Em 13 de junho, o PT oficializa a candidatura da ex-ministra.

No segundo turno das eleições, realizado em 31 de outubro de 2010, aos 63 anos de idade, Dilma Rousseff é eleita a primeira mulher Presidenta da República Federativa do Brasil, com quase 56 milhões de votos. Em 2014, é reeleita também em segundo turno com mais de 54 milhões de votos.