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Jaques Wagner, cidadão baiano

postado em 01/07/2011 05:07

Diante das maiores autoridades civis e militares da Bahia, o governador Jaques Wagner tornou-se cidadão baiano nesta quinta-feira (30), às 17h05, quando recebeu das mãos do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, em sessão especial, o título que lhe foi conferido em 23 de dezembro de 2004, após a aprovação do projeto de resolução de número 1764, apresentado pela então deputada Moema Gramacho, atual prefeita de Lauro de Freitas.

Recepcionado na rampa de acesso ao Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães pelo presidente da Casa, parlamentares, secretários, desembargadores e outras autoridades, pouco antes das 16h, o chefe do Executivo foi conduzido pelo deputado Marcelo Nilo até o Salão Nobre. Lá, concedeu rápida entrevista à imprensa, enquanto aguardava a composição da mesa de honra dos trabalhos – e a chegada da comissão de líderes partidários que o acompanhou até o plenário Orlando Spínola.

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Jaques Wagner entrou no plenário às 16h20. Foi ovacionado e recebido de pé pelas autoridades e cidadãos que lotaram o plenário e as galerias. No início dos trabalhos, os presentes escutaram o Hino ao 2 de Julho, interpretado pela cantora Margareth Menezes. Em seguida, o presidente da Casa passou a palavra para a autora da proposta de concessão da cidadania, Moema Gramacho, que saudou o homenageado em nome do Poder Legislativo.

Companheira de luta política do “companheiro Jaques Wagner” desde a fundação do Partido dos Trabalhadores, ela não conteve as lágrimas ao abordar uma aflição pessoal que sofreu no ano passado (um problema de saúde), em plena campanha eleitoral, e mesmo assim recebeu a atenção e orientação do governador, que deixou os afazeres para conversar com a amiga. A prefeita de Lauro de Freitas rememorou a sua passagem pelo bloco de oposição na Assembleia e lembrou a história sindical e política do governador na Bahia, bem como as realizações materiais e imateriais de sua gestão.

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Em seguida, o deputado Marcelo Nilo convidou a própria Moema Gramacho, dona Fátima Mendonça e os filhos e a neta do governador para secundá-lo na entrega do título de cidadão baiano – sob aplausos dos presentes. Cessada a ovação, foi exibido um vídeo contando um pouco da vida do governador Jaques Wagner, com alguns depoimentos, inclusive de sua netinha, Júlia. Na sequência, Margareth Menezes cantou a música Bahia com H e o presidente Marcelo Nilo passou a palavra para o homenageado fazer o seu agradecimento – o que ele fez de improviso.

Emocionado, Jaques Wagner agradeceu ao Legislativo, “pois só esta Casa poderia legalizar o que já era uma realidade de corpo e alma”. Disse que o baiano era um povo sensacional, de uma criatividade ímpar, e que a Bahia deu régua e compasso para o jovem de 23 anos que sonhava com democracia e um mundo melhor. Ele explicou por que se passaram sete anos entre a aprovação e a sessão de ontem quando recebeu a honraria: “Ser cidadão baiano é uma homenagem tão grande que talvez até de forma subconsciente eu não acreditasse que tinha merecimento para tanto.”

O deputado Marcelo Nilo fez um breve pronunciamento antes de encerrar os trabalhos. Disse que a concessão do título de cidadão baiano “chancela uma realidade de muitos anos, conquistada no dia a dia de luta em prol da Bahia e dos baianos”. Ressaltou ainda que Wagner se fez baiano da melhor qualidade, palmilhando o estado de norte a sul, leste a oeste, para identificar vocações e necessidades, e agora, como o chefe do Executivo estadual, construindo uma nova Bahia democrática, republicana e transparente.

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Homenagem

Em seu pronunciamento, Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa, lembrou que foi na Bahia que o governador Jaques Wagner passou a maior parte de sua vida e viu nascer e crescer os filhos e agora a netinha, pois chegou aqui em 1974, com apenas 23 anos. Para ele, na sessão se juntaram duas homenagens: a que foi prestada pela então deputada Moema Gramacho, “por juízo de meus pares, legítimos representantes do povo da Bahia”. E aquela outra que “a Bahia presta a vossa excelência por ter escolhido nosso estado como sua terra, ainda que sem rejeitar o seu estado natal, o Rio de Janeiro.”

Marcelo disse que “nesta tarde, senhor governador, não falo por mim, que pouco me suponho. Sou a voz da Bahia, se a tanto posso aspirar, a Bahia que tornaste tão sua quanto nossa em cada pedaço de chão e mar”. E acrescentou que esta cidadania é distinção merecida, pois foi conquistada no dia a dia de lutas e embates políticos em prol dessa terra e de sua gente.

Logo em seguida, enfatizou: “Não, senhor governador, Vossa Excelência não conseguiu o título de Cidadão Baiano graciosamente ou por mera formalidade desta Casa, pois o senhor se fez baiano – e da maior qualidade – talvez por vocação, mas seguramente por escolha”. O presidente da Assembleia lembrou que o homenageado conhece o estado de “norte a sul, leste a oeste, identificando vocações, carências e necessidades que agora, na chefia do Executivo, busca sanar, levando obras e serviços para os mais remotos rincões – e construindo uma nova Bahia, democrática, republicana e transparente.

O presidente da AL encerrou seu breve discurso classificando como “um elevado privilégio estar na presidência dessa sessão memorável” que referenda a relação de amor de décadas existente entre a terra “de Ruy Barbosa, Mangabeira, Anísio Teixeira e Margareth Menezes “e o homem público correto, republicano eleito duas vezes para o cargo maior do estado em pleitos memoráveis sempre no primeiro turno.”

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Participação

A solenidade contou com a participação maciça dos parlamentares. Exatos 54 deputados estaduais estiveram na sessão. A cerimônia também contou com a presença de quase todos os secretários de Estado, vereadores da capital, de 19 deputados federais da bancada baiana, conselheiros dos tribunais de Contas do Estado e dos Municípios, ex-deputados estaduais, federais, dirigentes de órgãos públicos federais e estaduais, desembargadores, prefeitos e vereadores interioranos, empresários e dirigentes de órgãos de classe da sociedade civil, como Walter Pinheiro, presidente da Associação Bahiana de Imprensa (diretor também do jornal Tribuna da Bahia), Edival Passos, superintendente regional do Sebrae, e Eduardo Morais de Castro, presidente da Associação Comercial da Bahia.

O comandante da Polícia Militar, coronel Castro, e outros altos oficiais da corporação se fizeram presentes, bem como os comandantes das Forças Armadas instaladas na Bahia. Também compareceu Maria Rita Lopes Pontes, dirigente das Obras Sociais Irmã Dulce, e diretores dos principais órgãos de comunicação da capital, como Sílvio Simões, do grupo A Tarde, Paulo Dropa, da TV Itapoan, Ney Bandeira, da TV Aratu, Cláudio Nogueira, da TV Bandeirantes, e Elizabete Santos, da Rádio Sociedade da Bahia. O rabino Ariel Oliszewski igualmente participou dos trabalhos, assim como artistas como Durval Lelys, Ricardo Castro e Margareth Menezes.

Proponente da concessão do título de cidadão baiano ao governador Jaques Wagner em 2004 quando era deputada estadual, a atual prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, começou o seu discurso saudando as autoridades e o homenageado e agradecendo aos ex-colegas da Assembleia Legislativa que aprovaram a entrega do título. “Estou rememorando com saudade o tempo que fiz parte dessa Casa e das lutas que foram aqui trava-das”, lembrou.

Moema contou que Jaques Wagner começou a sua militância política em 1969, no curso de engenharia civil na PUC do Rio de Janeiro, onde presidiu o Diretório Acadêmico da faculdade. Em 1973, perseguido pelo regime militar, foi obrigado a deixar o curso. Chegou à Bahia em 1974 e em 1976 conseguiu seu primeiro emprego na indústria petroquímica como caldeireiro. Depois, como técnico de manutenção, ingressou na Nitrocarbono, empresa do Polo Petroquímico de Camaçari. “Não demorou muito para Wagner passar de operário do Polo para operário da cidadania, lutando em defesa dos trabalhadores dentro e fora da fábrica”, ressaltou Moema.

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Agradecimento

Ao realizar o discurso de agradecimento, o governador Jaques Wagner afirmou que o título de cidadão baiano é uma honraria que carregará com muito orgulho, e acrescentou que a iniciativa da Assembleia Legislativa “legaliza a condição que para mim já é de coração e de alma”. Ele garantiu que a placa honorífica repousará na mesa do seu gabinete até o último dia do seu governo e se confessou “grato, orgulhoso e comprometido em fazer mais ainda”.

O governador optou por não dar conotação política ao pronunciamento, falando de improviso sobre sua experiência de 37 anos na Bahia. Os primeiros contatos, definidos por ele como “namoro”, foram quando ainda era adolescente. Em 1968, enquanto o Brasil conhecia a face mais cruel da ditadura, Wagner, com apenas 18 anos, cruzou a BR-116 com seu fusquinha vermelho do Rio de Janeiro até a Bahia para “conhecer a terra que todo bra-sileiro sonha em conhecer”.Dois anos depois, teve uma experiência que poucos baianos já tiverem ao descer o Rio São Francisco de vapor desde Pirapora, em Minas Gerais, até Juazeiro. “Conheci o jeito do povo do interior”, contou, ressaltando que, naquela ocasião, nem passava por sua cabeça vir morar aqui. Ele classificou o baiano como “povo sensacional, que enfrenta e supera as dificuldades com criatividade ímpar em todas as áreas”.